CFOP na nota fiscal: o que é, como escolher o código certo e evitar rejeição
Você foi emitir uma nota fiscal, o sistema pediu um "CFOP" e a nota voltou rejeitada pela SEFAZ. Se isso já aconteceu na sua empresa, saiba que é um dos erros mais comuns de quem começa a emitir NF-e e NFC-e. E o pior: é um erro que trava a venda bem na hora em que o cliente está esperando.
O CFOP parece um detalhe técnico da contabilidade, mas na prática é ele que diz para o fisco o que está acontecendo naquela operação. Escolher o código errado gera nota rejeitada, imposto calculado de forma equivocada e, mais para frente, dor de cabeça na apuração. A boa notícia é que a pequena empresa usa poucos CFOPs no dia a dia — dá para dominar os principais em uma tarde.
O que é CFOP
CFOP é a sigla para Código Fiscal de Operações e Prestações. É um número de quatro dígitos que aparece em toda nota fiscal e descreve o tipo de operação: uma venda, uma devolução, uma remessa para conserto, uma compra que entra no seu estoque, e assim por diante.
Pense no CFOP como uma etiqueta padronizada que o Brasil inteiro usa para classificar movimentações de mercadorias e serviços. Quando você vende um produto e emite a nota, o CFOP informa à SEFAZ: "isto é uma venda de mercadoria que eu produzi (ou que comprei para revender), para um cliente dentro do meu estado".
O CFOP não é opcional nem decorativo: ele determina como o imposto é calculado e como aquela operação entra na sua apuração fiscal. Código errado quase sempre significa imposto errado.
O primeiro dígito é o que mais importa para entender a lógica, porque ele indica a direção e a origem da operação:
- 1 — entrada dentro do seu estado (você comprou de um fornecedor do mesmo estado)
- 2 — entrada de outro estado
- 3 — entrada do exterior (importação)
- 5 — saída dentro do seu estado (você vendeu para cliente do mesmo estado)
- 6 — saída para outro estado
- 7 — saída para o exterior (exportação)
Repare no padrão: entradas começam com 1, 2 ou 3; saídas começam com 5, 6 ou 7. Como pequena empresa que emite nota de venda, você vai conviver principalmente com os grupos 5 (venda no seu estado) e 6 (venda para fora do estado).
Como escolher o CFOP certo: os códigos que sua empresa realmente usa
Existem centenas de CFOPs na tabela oficial, mas isso não deve assustar. Uma loja, uma distribuidora ou uma prestadora de serviços comum trabalha com um punhado deles. Veja os mais frequentes na emissão de nota fiscal de saída:
Venda de mercadoria que você comprou para revender:
- 5.102 — venda de mercadoria adquirida de terceiros, dentro do estado
- 6.102 — a mesma venda, mas para cliente de outro estado
Venda de mercadoria que você mesmo produziu ou industrializou:
- 5.101 — venda de produção própria, dentro do estado
- 6.101 — venda de produção própria, para outro estado
Devoluções (quando o cliente devolve algo que comprou):
- 1.202 — devolução de venda de mercadoria adquirida de terceiros, dentro do estado
- 2.202 — a mesma devolução, vindo de outro estado
Remessas (quando a mercadoria sai, mas não é venda):
- 5.915 — remessa para conserto ou reparo, dentro do estado
- 5.949 — outra saída de mercadoria não especificada nas demais operações
A lógica de escolha é sempre a mesma e cabe em três perguntas:
- É entrada ou saída? Venda é saída, começa com 5, 6 ou 7.
- É dentro ou fora do estado? Cliente no seu estado, começa com 5. Cliente em outro estado, começa com 6.
- A mercadoria é de revenda ou de produção própria? Isso muda o final do código (102 para revenda, 101 para produção).
Respondendo essas três perguntas, você acerta o CFOP na esmagadora maioria das operações do dia a dia.
Vale um alerta sobre operações interestaduais: quando você vende para um cliente consumidor final de outro estado, além de usar o CFOP do grupo 6, pode haver recolhimento do DIFAL (diferencial de alíquota). Não confunda uma coisa com a outra — o CFOP classifica a operação, e o DIFAL é um imposto que pode incidir sobre ela. Se você vende para fora do estado com frequência, vale entender esse ponto com calma.